As ferramentas sociais estão, há tempos, no front de batalha de todas as empresas que buscam conquistar e manter relacionamentos saudáveis com os seus públicos.
Afinal, ninguém mais discute a fundamental diferença entre as companhias que se focam única e exclusivamente na venda dos seus produtos e as que revolucionam os seus negócios para que eles girem em torno dos usuários.
Não sejamos ingênuos, claro: no final do dia, todas querem sempre a mesma coisa: aumentar as suas receitas, seus lucros e seus shares de mercado. Mas, as que entenderam que mercados não giram mais em torno de produtos, e sim de usuários – algo muito mais amplo e complexo de trabalhar – estão colhendo resultados substancialmente maiores.
Que o diga a Nike, tema de um outro artigo aqui na coluna e que conquistou milhões de fãs (no sentido original da palavra) ao lançar as suas plataformas para corredores que incluem provas de rua, aplicações para Iphone e chips para os tênis; ou a Natura que, mesmo muito antes do “boom” digital, construiu uma estratégia imbatível focada no fomento de comunidades de consultoras de beleza.
Há excesso de armas no arsenal social
Mas, mesmo entre as empresas que entenderam bem as mudanças dos tempos, gerir os negócios não tem sido nada fácil. Afinal, se há milhões de usuários dispostos a se relacionar com elas, há também milhares de redes sociais diferentes que podem ser utilizadas com essa finalidade.
Deve-se, então, estar em todas? Twitter, Facebook, Youtube, Flickr, Nings, Slideshare, FourSquare, YahooTravel… a infindável lista já é, por si só, a resposta de que estar em todas as redes ultrapassa os limites da viabilidade.
Até aí, sem problemas: basta selecionar as principais redes relacionadas aos principais focos de relacionamento que se deseja construir.
O seu negócio inclui temas complexos que demandem uma espécie de educação dos clientes? A montagem de um canal no Youtube pode ser a resposta perfeita para isso.
Fotos de eventos e encontros? O Flickr tem ferramentas perfeitas e certamente atenderá melhor a esse quesito do que redes como o Twitter.
Este, por sua vez, é ideal para comunicações práticas e diretas, daquelas que não demandem níveis elevados de aprofundamento.
Enfim, é possível se construir um ecossistema perfeito para o relacionamento com usuários tomando como base uma escolha bem feita envolvendo as principais ferramentas para cada um dos seus objetivos sociais, por assim dizer, e regendo-as de maneira unificada, prática e completa.
Mas, se o mundo digital tem características tão plurais, então porque uma única rede – o Facebook – tem crescido tão mais do que as outras?
E há o arsenal de uma arma só
De todas as redes existentes, o Facebook é a que mais se metamorfoseia de acordo com as necessidades não apenas dos seus usuários, mas dos usuários de toda a Web. Em determinado momento, por exemplo, a empresa percebeu que as pessoas gostavam tanto de se relacionar por geolocalização que uma nova rede, batizada de FourSquare, estava alcançando súbitas e altíssimas taxas de crescimento. O que o Facebook fez? Inseriu um serviço de geolocalização em suas próprias páginas.
Nada de diferente, aliás, do que fez anos antes ao perceber que usuários estavam mergulhando de cabeça no Twitter: bastou alguns meses para que o Facebook alterasse a sua estrutura e viabilizasse murais simples, práticos e, “coincidentemente”, feitos para poucos caracteres.
Fotos e vídeos? Já fazem parte da rede há algum tempo.
Aplicações de terceiros? Idem, em um mar sem fim de sistemas que qualquer um pode desenvolver e lançar.
Ou seja: há, na Web, incontáveis redes sociais feitas sob medida para atender a demandas específicas envolvendo usuários e empresas, mas apenas o Facebook parece ter a vocação – e a ambição – de servir como plataforma única para todo e qualquer tipo de relacionamento.
Para que, afinal, usar Twitter, Youtube, FlickR, Slideshare, aplicações externas, blogs, Nings e muito mais se tudo, absolutamente tudo, que se possa fazer em cada um desses ambientes pode ser feito em uma única rede que já reúne o maior grupo de usuários do mundo?
Com essa estratégia de mudar de acordo com o momento e de crescer para todos os lados, o Facebook está, de fato, dominando o cenário. Segundo levantamento da SocialBakers, ele já soma no mundo mais de 700 milhões de adeptos; no Brasil, cresceu assombrosos 11% em apenas um mês (maio de 2011), chegando a 19 milhões de usuários e quebrando o “hype” do Twitter.
A estratégia (talvez eticamente questionável) de “copiar-e-colar” do Facebook, viabilizada por um dinamismo sem precedentes na história corporativa mundial, está dando resultados nítidos.
Para empresas, nada melhor do que a promessa de haver um único ambiente social para que elas se relacionem com os seus usuários; para usuários, é um sonho não ter que nadar entre senhas e sites diferentes para se relacionar com os seus amigos.
Mas será que essa hegemonia é definitiva?
O bom senso e uma mínima análise histórica garantem que não.
Há uma falha clara em qualquer estratégia regida pelo hábito de copiar os concorrentes: a partir do momento em que ela dá certo, a quantidade de concorrentes a serem copiados diminui fortemente – secando, por consequência, o seu principal (senão único) motor de inovação. Em outras palavras: qual o futuro de uma empresa cuja principal qualidade é copiar estratégias alheias quando não houver mais estratégias a serem copiadas?
Na pior das hipóteses, a estagnação; na melhor, uma lentidão fatal digna das mais paquidérmicas e inchadas repartições públicas.
O futuro a Deus pertence
Acreditar que uma única rede social dominará um mundo tão pluralizado é, no mínimo, ingênuo. Nada, afinal, vem ao mundo com a garantia da eternidade.
Em algum momento, provavelmente antes do que se imagina, alguma nova rede surgirá e começará a abocanhar o espaço do Facebook – provavelmente copiando algumas de suas estratégias, diga-se de passagem.
Isso sem contar com as redes sociais já existentes: elas ainda tem porte, gana e muito, muito dinheiro para apostar em um mercado que ajudaram a formar.
Para usuários, toda essa ascensão e queda de redes acaba sendo absolutamente positiva: afinal, é o que garante que eles sempre tenham as suas demandas atendidas da melhor forma possível (e por quem quer que seja).
Para empresas que estão concentrando os seus relacionamentos sociais em um único ambiente, uma recomendação: está na hora de olhar para o longo prazo. Limitar os seus planejamentos de presença a apenas uma rede, por mais promissora que ela pareça ser no presente, é uma miopia estratégica que pode ter consequências desastrosas.
Mesmo hoje, no auge do Facebook, já começa a haver sinais curiosos de que o sucesso não é mesmo eterno. Há um local no mundo, por exemplo, em que a quantidade de usuários que a rede tinha despencou 75% apenas em maio desse ano: o Vaticano.
O futuro das redes sociais, ao que parece, a Deus pertence.
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Há pelo menos dez anos se discute o conceito de casa inteligente. Porém, a ideia de controlar a luz da sala ou as cortinas do quarto a partir do controle remoto nunca pareceu próxima o bastante, seja por causa de seu alto preço, seja devido à difícil implementação.
Na última terça-feira (17/05), no segundo dia do InTouch – evento organizado pela Amdocs, provedora de soluções em software para empresas de telecom – um novo modelo foi apresentado, com o objetivo de facilitar e popularizar a automação residencial. A intenção é que as operadoras acrescentem a tecnologia a seus portfólios, oferecendo planos de assinatura, assistência técnica e amortizações no valor cobrado de acordo com o tempo de contrato.
Além do modelo inovador, o equipamento a ser utilizado também difere do que é vendido atualmente. Prioriza o baixo custo, a facilidade de uso e a flexibilidade. A princípio uma única máquina seria comercializada – na simulação, um computador semelhante ao Mac Mini foi visto em ação – e ela seria responsável pelo gerenciamento de todos os dispositivos.
Os dispositivos, por sinal, se conectariam automaticamente à máquina, por Wi-fi, bluetooth ou infravermelho. De acordo com Gary Miles, vice-presidente da Amdocs, cerca de 250 acessórios já são compatíveis, de câmeras a aquecedores:
“A tendência é que, tão logo a tecnologia seja lançada, esse número aumente, e o preço sugerido pelo equipamento – que pode até ser subsidiado pela operadora – diminua”, previu.
O plano da Amdocs não é entrar no mercado de automação residencial, mas incentivar as empresas de telecom a investir no setor com a ajuda de seu modelo. Miles disse que elas possuem estrutura para isso, não só pelo relacionamento longo que, em geral, têm com os clientes, como pela confiabilidade que transmitem.
“Quando o usuário tem um problema”, justificou, “não liga para a Google, mas para as provedoras. Além disso, ele não se sente seguro a ponto de deixar que a gigante coloque uma câmera em sua casa”.
A simulação
Na simulação, a área de segurança recebeu destaque. Uma webcam foi conectada via rede sem fio ao aparelho e passou a transmitir as imagens para a nuvem, exibidas, em seguida, em um monitor. A câmera, aliás, foi controlada remotamente.
O principal, no entanto, ressaltou o executivo, é a possibilidade de personalização. Pode-se, por exemplo, definir que caso nenhum movimento seja detectado no quarto por 24 horas, um aviso seja enviado. Ou instalar um sensor infravermelho na geladeira e determinar que uma notificação deverá ser transmitida se ela não for aberta por 12 horas.
“Assim, um problema que as companhias de segurança em geral enfrentam seria resolvido pelas provedoras”, afirmou. “Afinal, 99% dos alertas enviados à polícia pelos sistemas atuais são, na verdade, alarmes falsos”.
Os avisos poderiam ser recebidos na televisão, no telefone – a máquina, literalmente, fala o que aconteceu – por mensagem de texto, e-mail ou mesmo fax.
A demonstração sobre o que a casa inteligente poderia acrescentar à área de saúde, porém, foi mais impressionante - vale lembrar, porém, que em simulações tudo costuma ocorrer conforme o planejado. Miles convidou um dos presentes a amarrar um dispositivo no braço para medir a pressão arterial. Os índices foram repassados automaticamente ao servidor central, e, de lá, foram para o programa Google Health. A partir do serviço, aliás, todo um histórico do usuário pode ser visto e acompanhado.
De acordo com o vice-presidente, várias possibilidades se abrem a partir daí. Médicos e hospitais conseguiriam acompanhar em tempo real seus pacientes, antecipando-se a possíveis pioras no estado de saúde e agilizando tratamentos.
Futuro e Brasil
Embora apenas o Google Health tenha sido usado na demonstração, a intenção é que inúmeros aplicativos de terceiros tirem proveito da automação residencial. Um programa para iPhone, por exemplo, já existe, e com ele foi possível alterar diversas configurações do sistema, controlar dispositivos ou mesmo ligá-los e desligá-los.
O sistema deverá ser adaptado às diferentes necessidades. Na Rússia, lembrou Miles, onde está sendo testado, ele é usado para ligar o aquecedor de uma casa antes que o usuário chegue. Ao cliente, bastaria comprar a máquina central e, depois, ir conectando os dispositivos que quiser, solicitando auxílio à empresa quando necessário.
Segundo Miles, a operadora que oferecer o sistema conseguirá atrair 1% de sua base de clientes logo no primeiro ano. Ele estima, também, que as vendas da companhia cresceriam 7%, pois o serviço traria usuários de concorrentes, interessados na nova tecnologia.
No Brasil, a automação de residência é oferecida pela Telefônica, mas ela não tem feito muitas campanhas de divulgação a respeito. Segundo o portal da empresa, seu produto, o At Home, está presente em mais de dois mil apartamentos na Grande São Paulo e na cidade do Rio de Janeiro.
“É um sistema bem diferente. Para fazer alterações ou instalar o produto em uma casa, é preciso enviar funcionários ao local, quebrar um monte de paredes”, afirmou Edson Paiva, diretor de vendas da Amdocs no Brasil. “Nosso modelo propõe que os usuários adaptem o serviço facilmente às suas necessidades. Para ligar a luz pelo controle, por exemplo, bastaria acoplar um sensor infravermelho à lâmpada”.
De acordo com Paiva, os testes no Brasil começarão em dois meses. Por mais que não tenha revelado qual é a empresa de telecom interessada no produto, confirmou que das duas, uma: a própria Telefônica ou a Embratel. Ambas não confirmaram a informação.
*O jornalista viajou para Miami a convite da Amdocs
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Os Correios foram autorizados a ampliar sua atuação. A autarquia poderá oferecer serviços como telefonia, internet, logística integrada, serviços bancários e ter participação em companhias aéreas. A alteração foi possível por uma medida provisória (MP) publicada nesta sexta-feira (29), no Diário Oficial da União, estabelecendo mudanças no estatuto da empresa.
A MP também permite a atuação dos Correios em outros países, a participação societária em empresas e a constituição de subsidiárias. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, explicou que as medidas são para modernizar a empresa, já que o estatuto tem 42 anos.
“Queremos que os Correios sejam uma empresa moderna, com serviços da melhor qualidade. Provavelmente, é a única empresa que atua em todos os municípios do Brasil, então tem de atender bem”.
Na área de serviços eletrônicos, os Correios poderão oferecer o serviço de telefonia como operador virtual (Mobile Virtual Network Operator- MVNO), que permite alugar parte da rede de grandes empresas e oferecer linhas aos consumidores.
Leia também: Entenda a resolução da Anatel que autoriza a criação de operadoras virtuais
A empresa também deve aumentar a hospedagem de lojas de comércio pela internet, além de atividades como certificação digital, e-mail registrado, entrega de mensagens de forma sigilosa e segura e o serviço de correio híbrido, no qual é possível enviar uma correspondência eletrônica para ser impressa pela empresa antes de chegar ao destinatário.
Os Correios também estão autorizados a oferecer serviços bancários. Hoje, a empresa tem o Banco Postal, que oferece os serviços de apenas um banco, definido por licitação. O ministro ressaltou que esse serviço tem hoje cerca de 11 milhões de contas e mais da metade são clientes com renda de até dois salários mínimos.
A empresa também pode entrar no setor de aviação. Ela poderá participar como sócia minoritária de uma companhia já existente, constituir sua própria empresa ou aumentar o tempo de validade dos contratos com as empresas aéreas, que hoje é de um ano, podendo ser renovado por mais cinco. Segundo Bernardo, os Correios gastam por ano cerca de R$ 300 milhões com serviços aéreos.
Com a MP, os Correios ficam autorizados a entrar como sócio do Trem de Alta Velocidade. Mas Paulo Bernardo disse que a empresa não vai disputar o leilão. O novo estatuto dos Correios vai permitir a ampliação da sua atuação no exterior, com a abertura de agências próprias. Hoje, as encomendas que são enviadas para fora do País passam por outras organizações, por meio de acordos de cooperação.
No novo formato, poderá ainda entregar diretamente objetos no exterior. Outra mudança é a obrigatoriedade de publicação anual dos balanços da empresa e a participação de um representante dos trabalhadores no conselho de administração.
Para que as mudanças entrem em vigor, um novo decreto com as mudanças no estatuto terá de ser assinado pela Presidência da República, o que poderá ser feito na próxima segunda-feira.
*Com Agência Brasil
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