O Google anunciou a criação de um grupo reunindo diversos fabricantes de celulares e tablets com o sistema operacional Android – Samsung, Motorola, LG, HTC, Sony Ericsson e outros – com a finalidade de combater a fragmentação existente no sistema operacional. Foi durante a Google I/O, conferência para desenvolvedores de software, nesta quinta-feira, em São Francisco, California (EUA).
O grupo, denoninado Open Handset Alliance, terá a missão de definir compatibilidades de hardware dos dispositivos de todas as fabricantes e garantir que todo aparelho que chegue ao mercado receba atualizações do Android por pelo menos um ano e meio após o lançamento. Ou até depois, caso os aparelhos suportem novas versões do sistema operacional que forem saindo.
Nesta semana mesmo, o Google anunciou uma nova versão do sistema, a 2.4, denominada de Ice Cream Sandwich (sanduíche de sorvete), também na Google I/O.
Com ela, já são oito versões do Android lançadas até agora, que vieram ou vêm instaladas em dezenas de modelos de aparelhos, de dezenas de fabricantes, que fazem centenas de personalizações sob a plataforma. Isso é apontado como um dos grandes fatores que impedem o Android, já líder em vendas nos EUA, de crescer ainda mais e “matar” o principal concorrente, o sistema operacional iOS, da Apple.
Nem todos os fabricantes disponibilizam as mesmas atualizações, ao mesmo tempo, nos mesmos países. E sequer são todos os aparelhos que chegam a ganhar as melhorias. Alguns ficam ‘estacionados’ para sempre, na mesma versão. Outras, dependem de operadoras.
Divisão
Com a Ice Cream Sandwich, o Google manteve a tradição de vincular, em ordem alfabética, um nome de doce a cada nova versão do Android – desde a 1.5 (Cupcake), seguida da 1.6 (Donut), 2.1 (Eclair), 2.2 (Froyo), 2.3 (Gingerbread) e 2.4 (Ice Cream Sandwich), além da 3.0 (Honeycomb), esta última exclusiva para tablets. Houve ainda a versão 1.0, a inicial.
Quando uma empresa de software desenvolve e lança um jogo, por exemplo, pode ter certificação de que ele rodará na 2.4, mas não não 2.3, nem na 2.2, e nem na 3.0. Outros softwares requerem pelo menos a 2.1 em diante – e quem tem aparelhos um pouco mais antigos, com 1.6, que pararam de receber atualizações, pode ficar na mão.
A saída, para os donos de aparelhos um pouco mais destemidos, tem sido instalar as ROMs “paralelas”. Há muitos grupos de desenvolvedores dedicados a modificar ROMs do Android 2.2, 2.3 e 3.0 e portá-las para uso em celulares mais antigos.
Essa verdadeira “salada” de números e versões já motivou até mesmo a criação de um site, nos EUA, sobre a fragmentação do Android, o Android Fragmentation, onde os fãs do sistema discutem a questão.
Uma contagem feita pelo site já detecta 81 fabricantes de dispositivos com Android, com pelo menos 224 modelos diferentes de celulares e tablets.
O Google não definiu se a política de atualizações dos aparelhos valerá para todos os países onde há comercialização de celulares e tablets Android, inclusive o Brasil.

